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cristão com um mínimo de formação
religiosa é capaz de fazer um breve resumo da carreira
do Diabo: originalmente um anjo poderoso, ele teria se rebelado
contra Deus no princípio dos tempos, induzido Adão
e Eva a cometer o chamado pecado original e, ainda hoje, estaria
pronto a induzir a humanidade a fazer o mal, manipulando tudo
e todos nos bastidores. O problema, afirma um livro que acaba
de chegar ao Brasil, é que essa trama básica
não estaria em lugar nenhum da Bíblia, mas teria
sido montada por teólogos cristãos dos séculos
3 e 4, responsáveis por uma leitura um bocado criativa
das Escrituras. Segundo essa visão, o Satanás
bíblico não seria um rebelde contra Deus, mas
uma espécie de "agente secreto" ou "chefe
do FBI" divino, responsável por testar a lealdade
dos seres humanos.
A tese polêmica está em "Satã - uma
biografia" (Editora Globo), escrito por Henry Ansgar
Kelly, professor emérito da Universidade da Califórnia
em Los Angeles e autor de outros livros sobre a figura literária
do Demônio. Kelly vai além da maioria dos outros
estudiosos modernos da Bíblia, os quais, como ele,
afirmam que as poucas aparições de Satanás
no Antigo Testamento se referem a uma figura que é
subordinada a Deus, e não inimiga do Criador. Para
Kelly, no entanto, a situação não muda
substancialmente nas menções ao Maligno no Novo
Testamento.
Fonte: G1
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